Descrevendo cenários em histórias
- Laura Lopes

- 7 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 15 de mai. de 2025
Algo muito comum de acontecer quando você escreve uma narrativa, é precisar contextualizar seu leitor quanto ao ambiente em que o personagem está inserido. Para isso, devemos descrever o ambiente, ou cenário.
Podemos utilizar essa descrição ao nosso favor, e configurar um trecho que evoque uma imagem ou sentimento específico para o leitor.
Usando a fotografia “Diner with red door” 1979, como o cenário da sua história, escreva duas versões de um trecho descritivo. Primeiramente, imagine que o personagem principal está antecipando um sentimento de fracasso e desmotivação, um cenário ruim; você deve transmitir esse sentimento ao leitor.
No segundo trecho, o cenário será o mesmo, porém a perspectiva do protagonista irá mudar. Descreva novamente a situação, mas agora imaginando que o personagem está no final da história, após uma conquista inesperada ou a realização de um sonho, um sentimento de esperança e motivação.
RUIM
Quando abro a porta vermelha, um sino toca, anunciando minha presença a todos os desinteressados. Finjamos que isso tenha relevância. No momento em que abri a porta de repentina, em busca de substituir o frio seco de meados do mês de junho por algo mais aconchegante, os ventos cortantes empurraram a porta junto comigo, invadindo o lugar. No estabelecimento, porém, o que reinava era a lembrança de água dissolvida no ar e o cheiro pungente de cafeína.
Os clientes debruçavam-se sobre seus próprios problemas, mastigando o pão com um pedaço da língua mordida, engolindo café e ressentimento. Em alguns minutos, eu era um deles; eles eram um de mim.
No fim, o cobrador me disse adeus. Me desejou um bom dia. Eu gostaria de poder contar a ele—quase contei.
BOM
E aqui, ao fim, me encontro novamente no ambiente familiar, o cheiro habitual do café e a rotina de saber que mais um dia se passou. Todos temos um lugar que nos faz lembrar de “lar”, e muitas vezes, nossa casa não é o lugar onde moramos, mas sim onde nos sentimos abrigados. A proteção da rotina, a âncora do que é linear, se entremeia nas curvas sinuosas das surpresas de cada dia. O que é a rotina, senão uma oportunidade para sair dela?
Após um ano de conquistas, me encontro no meso local: mesma porta vermelha, mesmo sino loquaz, mesma cafeteria. Contudo, nada é igual; todos estão diferentes.
A pequena e aconchegante cafeteria se transformou deveras. Como uma fênix, deixou de carregar um peso maciço e sombrio de desilusões, para finalmente posar em seu interior o coração pulsante de sonhos realizados, um lugar repleto de conversas inquietantes e entusiasmadas.



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